Automutilação na adolescencia
Não existe adolescência normal sem perturbações. É importante a compreensão de que as alterações no humor e condutas não caracterizam patologias psíquicas e sim uma desordem necessária para adaptação as diferentes mudanças, incluindo aspectos físicos, hormonais, sentimentais e cognitivos. São instalados nesta fase, conflitos que facilmente afetam a família, estudo e relações sociais. Grande parte dos conflitos salientes na adolescência, têm suas raízes na infância, a partir das internalizações das relações primárias ( pais e cuidadores ), vínculos estabelecidos na família, acontecimentos traumáticos e manejo das necessidades emocionais básicas tais como: vínculos seguros, ambiente protetor e organizado, cuidado, aceitação, autonomia, competência, sentimento de identidade, liberdade de expressão, validação, espontaneidade, lazer, limites e auto controle.
Apesar de ser considerado normal a presença de conflitos , a adolescência é um período de fragilidades, que vai ao encontro de muitas questões infantis. É uma fase propícia a desordem psicológica podendo resultar em graves transtornos psiquiátricos. O humor deprimido pode ser considerado normal em virtude de sentimentos relacionados ao tédio, incompreensão, vergonha, introversão e baixa auto-estima, porém, deve ser diferenciado de estados depressivos. Quando o sofrimento é intenso, condutas preocupantes e anormais são desenvolvidas, sendo um sintoma que requer alerta, atenção e cuidado por parte da família e profissionais da saúde.
A automutilação é um distúrbio de comportamento em que a pessoa agride o próprio corpo ao sentir profunda tristeza, culpa, raiva, frustração ou angústia com o intuito de aliviar o sofrimento. É um transtorno psiquiátrico que requer tratamento. A detecção precoce de distúrbios psiquiátricos na adolescência contribui para o desenvolvimento saudável da organização psíquica , protegendo a pessoa de comportamentos de riscos, ideação suicida e transtornos de personalidade.
A automutilação tem relação direta com sintomas de depressão e ansiedade, correspondendo aos cortes, queimaduras e batidas do corpo contra a parede. É uma forma de comunicação pelo fato de não ser possível comunicar o sofrimento de outra maneira, seja pela falta de escuta, espaço, compreensão, apoio ou até mesmo pela impossibilidade de não saber como e o que falar. Antigamente, tratava-se de um distúrbio discreto, porém, após revelações de figuras públicas, atenção da mídia e formação de grupos virtuais, esta conduta passou a despertar a curiosidade dos jovens, sendo elemento de identificação e recurso para alívio da dor emocional .